quarta-feira, 8 de maio de 2013

Sinto que meus problemas laborais apenas começaram...

Voltei a trabalhar e com isso os meus problemas começaram... Estou à deriva no escritório da empresa, antes era Coordenadora Técnica em uma usina termoelétrica, depois que voltei, fui remanejada para o escritório da empresa e trabalharia na área de aplicações. Retornei dia 24/04 e, desde então, apenas estudo e relembro algumas teorias técnicas, nisso vi que os meus problemas apenas estão começando.

Hoje escutei a célere frase: "como vou lhe ensinar se o básico você não sabe". Não que não saiba, apenas não lembro. E, estudo... mas no outro dia já esqueci de tudo! Também tem o caso de, com o meu afastamento, alguns equipamentos mudaram e outros se tornaram obsoletos. Enfim, o dia hoje não está fácil e a única vontade que tenho é de chorar.

Voltei a trabalhar porque me sentia apta a função que exercia antes, esse problema de fixação da memória já sabia que era um sequela que me acompanharia por um bom tempo, mas também não contava com essas mudanças no trabalho, muito menos nessa cobrança de pegar tudo com um curto intervalo de tempo.

Pode ser que as coisas melhorem ou pode ser que piorem, em todo o caso, o máximo que pode acontecer é ser demitida, o que acho bem mais provável disso acontecer em alguns meses ou semanas. Mas e aí? Como fico? Essa é a pergunta que ainda não tenho resposta. 

O Dr. Avelino passou a Terapia Ocupacional, marquei com a psicóloga para o dia 14/05. Não sei, mas estou considerando em dar entrada novamente no INSS.  Estou pensando seriamente nessa possibilidade, vamos ver até onde vai isso tudo dar.

sábado, 4 de maio de 2013

Voltei a trabalhar!

Alguns dizem que tudo ainda é muito recente, devido a gravidade, uns dizem que 01 ano não é tempo suficiente para voltar ao trabalho. Confesso que há dias em que fico extremamente cansada, mas acho que é por conta que estou na fase da adaptação, estou conseguindo dormir as 23h e acordo as 06h.

No trabalho está assim, há dois grupos de pessoas, as que acreditam na minha plena recuperação e as que ficam com um pé atrás e meu chefe faz parte do segundo grupo. Procuro entender os dois grupos, mas deixo claro a todos que aquela Daniele estressada, ligada no 440V e que faz tudo ao mesmo tempo... Bem, essa aí não vai vir tão cedo ou até nunca mais. Até tento dar uma acelerada e encarar a pressão de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas nesse dia que fiz esse teste, fiquei tão cansada que cheguei em casa e apaguei, no outro dia parecia que todo o cansaço tinha descido para as pernas, não sei bem explicar, mas vi que sentir essa exaustão ao máximo é muito ruim.

Fui remanejada, agora vou trabalhar com aplicações de engenharia, tudo ainda é muito novo. Confesso que no primeiro dia fiquei um pouco assustada e já achava que não ia dar conta do recado, mas se acovardar diante de um desafio não faz parte de mim. Estou estudando e anotando, talvez o grande desafio seja de não me cobrar tanto (que pegue tudo) em um curto período de tempo.

Eu e o Roriz estamos enfim morando juntos, nosso apartamento ainda está bem simples, mas o que importa é o amor e o dinheiro pra pagar o aluguel (sic)! Brincadeiras à  parte, nossa nova rotina inclui lazer, estudo e trabalho, então tudo tem que ser bem prático e com isso estou colocando em prática a teoria PPP, que vi lá no blog Meu Cérebro Mudou, a técnica serve pra muitas ocasiões e colocando-a em prática aprendi a planejar toda a nossa semana, meus remédios na mochila, os almoços do  Roriz, meus lanches e até os meus horários de dormir, acordar e etc... Tudo é planejado. 

A técnica do PPP  também serve para aqueles dias em que estou com a cabeça bagunçada, pensando milhões de coisas ao mesmo tempo. Aprendi a identificar esses dias, então se penso muito em uma coisa, devo passar uns 3 dias refletindo sobre ela, no 4o. dia encontro alguma solução mais simples do que imaginava já no primeiro dia ou então nem era algo assim com profunda importância.

Minhas sessões com a psicóloga começaram e conversar sobre isso me ajuda a entender a cabeça dessa nova Daniele, antes que ela me engula de vez.

E pra encerrar... Vou pro show do Paul McCartney, aqui em Fortaleza. Por isso a foto no post de hoje! rs

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Lembranças da infância

Sempre fui uma criança ansiosa, já roía as unhas desde uns 4 a 5 anos pelo que me lembre. E, como toda criança, prestava atenção a tudo e todos, por volta de 1988 muito se falava no "boom do milênio", que o mundo ia acabar na virada do século e todas as teorias da conspiração inimagináveis... 

Enfim, aquilo me deixava profundamente aflita, lembro que fazia as contas no dedo, que no ano 2000 só teria 18 anos e que este tempo não seria suficiente para casar e ter filhos. Veja só o que um boato pode fazer com a cabeça da criança. Então, volta e meia, essa notícia voltava e eu ficava aflita com o mesmo dilema. Até que comecei a pensar em como pediria para Deus me dar mais tempo... Pedia mais um tempo, que se vivesse até os 30 anos teria tido tempo suficiente para ter casado e ter (pelo menos) um filho. Os anos 2000 vieram e nada aconteceu, desde então passei a não acreditar em mais nenhuma teoria de "fim do mundo".

Saí do Hospital cerca de 15 dias antes do aniversário dos meus 30 anos e desde então nunca tinha confessado pra ninguém desse pensamento que tinha quando criança, até que contei pro Roriz e algumas outras pessoas, em uma roda de conversa e lógico que foi motivo de muita risada. No dia do meu aniversário relutei pra sair de casa, tudo e todas as situações possíveis e inimagináveis que poderia evitar, evitei. Juntei o episódio do aneurisma e a proximidade do meu aniversário e fiz aquela confusão.

Enfim, acho que esse episódio da minha infância com esse evento do aneurisma serviu pra bagunçar (e muito) a minha cabeça. Por isso devemos ter cuidado com determinados assuntos na frente de crianças, até porque a mente de uma criança é muito fértil e ela também não está preparada para determinados assuntos.

Amanhã começo a mudança pro nosso novo ninho, eu e o Roriz vamos avançar mais uma etapa da nossa vida. Casei, ainda não tenho filhos, mas já cheguei nos 30! rs

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um ano e muito à agradecer!

Sabe, há exatamente 1 ano atrás estava sozinha em casa com uma dor de cabeça insuportável e que só deu tempo pedir socorro até apagar. 

Fui socorrida pelo Rorix Pinheiro e sua mãe, levada ao Hospital da Unimed semi-inconsciente e, os que me acompanhavam, ainda não sabiam o que tinha. Por volta da noite é que identificaram um aneurisma rompido e outro prestes a se romper, na minha cabeça. Fui operada às pressas e daí em diante, se sobreviveria ou não, estava nas mãos de Deus.

Passei 42 dias no Hospital, só lembro dos 10 últimos. As sequelas, hoje, são praticamente imperceptíveis. Mas, durante esses 12 meses, foram muitas barreiras vencidas e ainda tenho muitas outras para vencer. Meu lado direito está com a coordenação motora de uma criança de 8 anos, mas isso não me impediu de reabilitar o lado esquerdo e isso inclui: escrever, escovar os dentes, comer... dos movimentos mais básicos aos mais afinados. Esse tempo parece pouco e muito ao mesmo tempo, até porque ainda tenho muitos outros obstáculos.

Depois que a gente passa por isso, descobre uma enorme força e não sabe explicar de onde ela vem. Descobre que a gente pode perder bens materiais, mas que o AMOR, AMIZADE e COMPANHEIRISMO são eternos.

Primeiramente agradeço a Deus, Ele não tem facebook e muito menos usa internet, mas me ouve todos os dias. Agradeço todos os dias pela paciência, amor e amizade do Rorix, que me acompanhou e ainda acompanha, me deixou à par do assunto, me incentivou a romper todas as dificuldades motoras, me alegrou nos dias de tristeza, pesquisou muito sobre o assunto, terapias, clínicas especializadas e cuida dos meus horários e remédios.

Agradeço pelos meus pais e pelo exemplo de força da minha mãe (Raimunda Cavalcante) que me ensinou durante toda a vida que o mais importante na vida é a gente "não desistir, jamais", pelo meu Pai (que na sua chatice, me ensinou a ter regras e estabelecer metas), pelos meus amigos e amigas Ana DantasEulália CoelhoRafaela CoelhoAdriana BarrosSoraia FelixFernanda RochaSocorro Vale, às minhas tias Dora Ferreira e Miriam que se dividiram como puderam pra dormir comigo ou ficar o dia no hospital me acompanhando. Agradeço também aos pais do Rorix pela hospitalidade que me deram durante um período que fiquei na casa deles. Agradeço aos que foram me visitar, aos que intercederam por mim.

Um beijo mais do que especial pra minha Dedete e minha gêmula Rafinha, que tiveram que sofrer de longe e praticamente arrumaram as malas pra vir pra cá. Diz pra Dedete viu Júnior, Sandra e Marcelo.

Enfim, tudo só tenho a agradecer. E, se hoje estou aqui agradecendo é pelas muitas orações de vocês, pela força que me deram em algum momento desse período.

domingo, 7 de abril de 2013

Um novo dia e grandes perspectivas!

As oscilações de humor deram uma maneirada, só isso já é motivo pra comemorar!

Na semana santa fomos para o sítio da familia da Eulália e lá estavam a Adriana e a Rafinha, foi bem divertido passar esses dias com elas e acho que me ajudou também a relaxar e espairecer a mente, enfim foi ótimo!

Nessa semana muitas coisas maravilhosas aconteceram e uma delas foi que fechamos o aluguel do nosso apartamento, nossa, não dá nem pra descrever o quão feliz fiquei com o fim dessa busca! Outra coisa bem legal é que vou pro show do Paul McCartney aqui em Fortaleza, com certeza um momento único! Graças à insistência da Lala e das meninas!!!

Nesse mês tenho consulta com os médicos que me acompanham e dia 24 de abril volto a trabalhar, se assim eles consentirem. Até outra novidade!!

domingo, 24 de março de 2013

Oscilações de humor

Você já teve aneurisma? Espero, do fundo do meu coração, que não. Mas, se você chegou até aqui, é porque está procurando relatos que se assemelham ao seu ou quer ajudar alguém que esteja passando por isso. Pois bem!

Há alguns anos que não roía as unhas, mas ando com a ansiedade tão aflorada que não restaram nada delas. Notei que tenho tido oscilações de humor recorrentes, tem dias que estou bastante irritada, sem motivo aparente. Outros, estou chorosa e qualquer coisa ou palavra me deixa profundamente triste. Tem dias que estou no modo "desligada", simplesmente não consigo sentir nada, nem raiva, nem dor, alegria muito menos!

Nesses dias, tudo está muito mais intensificado, tanto é que, de sexta para sábado, passei a noite acordada tentando dormir e não teve passatempo que relaxasse a mente. Chega a ser frustrante, é como se estivesse ligada no 220 direto e não pudesse fazer nada a respeito. 

Ainda não tenho acompanhamento de algum neuropsicólogo, mas sinto que está chegando a hora. Andei lendo relatos de quem já passou ou passa por isso, e, numa dessas pesquisas achei esse blog que fala sobre vários assuntos que rodeiam as sequelas de um acidente vascular cerebral http://meucerebromudou.wordpress.com inclusive dessa oscilação de humor.



quinta-feira, 21 de março de 2013

Paciência e Longaminidade

"Longanimidade e Paciência é saber esperar (...)", já dizia uma certa música que aprendi na minha infância. 
Saber esperar e paciência é tudo que temos feito ultimamente, aliás... paciência foi uma palavra que passou a fazer parte da minha rotina, pós aneurisma.

Estávamos morando com os pais do meu marido, mas por um infortúnio tive que vir morar com os meus pais e ele com os dele. Enquanto isso, procuramos apartamento para alugar, que esteja dentro do nosso orçamento e que faça parte da nossa trajetória diária e assim, tudo volta ao normal.

Nesse mês, que não escrevo por aqui, muita coisa mudou. Começaram as aulas da minha faculdade e a do meu marido, no dia 22 desse mês vou voltar a trabalhar e confesso que estou bastante ansiosa pra isso. Minha memória tem melhorado consideravelmente, assim como minha caligrafia com a mão esquerda e a reabilitação da mão direta está bem lenta, mas já consigo escrever minha rubrica.

De umas semanas pra cá tenho tido crises de ansiedade poderosas, as coitadas das minhas unhas é que sofrem. Minha angio-ressonância teve que ser remarcada para abril e só depois disso é que vou marcar o retorno com o neurologista clínico que me acompanha vou aproveitar também para pedir dele um acompanhamento psicológico, acho que já é a hora.

Depois que a gente passa por isso, fica um vazio que não sabemos como preencher. Fico pensando: e se tudo isso não tivesse acontecido? E, se tivesse morrido? São perguntas, sentimentos que afloram e outros que desapareceram. Sinto que, dentro da minha cabeça alguma coisa foi desligada, do tipo, alguns sentimentos como compaixão, alegria e outros precisam de muita força para florescerem, é um exemplo bem resumido... Antes era uma pessoa mais emocional que racional, mas depois disso sinto que as coisas se inverteram e a única emoção que consigo sentir com facilidade é raiva, vai entender.

Tenho respondido alguns tópicos no fórum http://aneurismacerebral.ning.com e isso tem me ajudado e ajudado outras pessoas, atualmente isso é o que importa.