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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Lembranças da infância

Sempre fui uma criança ansiosa, já roía as unhas desde uns 4 a 5 anos pelo que me lembre. E, como toda criança, prestava atenção a tudo e todos, por volta de 1988 muito se falava no "boom do milênio", que o mundo ia acabar na virada do século e todas as teorias da conspiração inimagináveis... 

Enfim, aquilo me deixava profundamente aflita, lembro que fazia as contas no dedo, que no ano 2000 só teria 18 anos e que este tempo não seria suficiente para casar e ter filhos. Veja só o que um boato pode fazer com a cabeça da criança. Então, volta e meia, essa notícia voltava e eu ficava aflita com o mesmo dilema. Até que comecei a pensar em como pediria para Deus me dar mais tempo... Pedia mais um tempo, que se vivesse até os 30 anos teria tido tempo suficiente para ter casado e ter (pelo menos) um filho. Os anos 2000 vieram e nada aconteceu, desde então passei a não acreditar em mais nenhuma teoria de "fim do mundo".

Saí do Hospital cerca de 15 dias antes do aniversário dos meus 30 anos e desde então nunca tinha confessado pra ninguém desse pensamento que tinha quando criança, até que contei pro Roriz e algumas outras pessoas, em uma roda de conversa e lógico que foi motivo de muita risada. No dia do meu aniversário relutei pra sair de casa, tudo e todas as situações possíveis e inimagináveis que poderia evitar, evitei. Juntei o episódio do aneurisma e a proximidade do meu aniversário e fiz aquela confusão.

Enfim, acho que esse episódio da minha infância com esse evento do aneurisma serviu pra bagunçar (e muito) a minha cabeça. Por isso devemos ter cuidado com determinados assuntos na frente de crianças, até porque a mente de uma criança é muito fértil e ela também não está preparada para determinados assuntos.

Amanhã começo a mudança pro nosso novo ninho, eu e o Roriz vamos avançar mais uma etapa da nossa vida. Casei, ainda não tenho filhos, mas já cheguei nos 30! rs

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Alta do Hospital

O grande  dia chegou, depois de longos 42 dias, saí do Hospital. Lembro que foi um dia muito feliz, o Roriz foi me pegar e me levou até a casa da minha mãe. Ele já tinha me feito a proposta de morar com  ele, na casa dos pais dele. Disse que iria pra casa dos meus pais, mesmo sabendo que não iria dar muito certo, não deixaria de tentar.

Meu pai tem o temperamento muito forte e eu também, sempre bati de frente com ele, se não concordava com alguma coisa, dizia e defendia meu ponto de vista. Moro só desde os 18 anos  e desde os 15 anos já ganhava meu próprio dinheirinho, então ia ser um desafio grande dividir o mesmo teto. Dois dias depois tivemos nossa primeira discussão, porque ele  queria que  fosse pra igreja e eu  disse que obrigada não iria. Ainda fui adiante, disse que eu pedi pra morrer e que não pedi que ninguém fizesse promessa no meu nome. 

Tá, eu sei que  fui longe demais, mas meu pai tem que aprender a respeitar o tempo  das pessoas. Tinha acabado de sair do hospital, queria respirar e não queria pressão. Várias pessoas fizeram promessas pra eu melhorar, vou cumprir todas.

Combinei com o Roriz de me pegar na sexta e por conta disso foi um auê em casa, porque tinha que voltar  no Domingo e blá blá blá, quando vi que não  ia dar certo disse pro Roriz que aceitaria a proposta dele, apesar de que a mãe dele tem umas coisas que tiram a paciência de qualquer um, mas, segundo ele, já tinha sido conversado isso. Fui pra casa dele e quando foi na terça voltei pra casa pra falar com meu pai, acho que por conta do nervosismo, minha diabetes estava  perto da casa dos 200.

Fomos, ele  não falou nada, só escutou. A mãe arrumou minhas coisas e voltamos. Foi assim, limpo e seco. Eu gosto pra caramba dele, mas só nos damos bem morando em casas separadas.