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sexta-feira, 31 de maio de 2013

‘The draft’ - Livro de menina que morreu após um aneurisma

Passeando pela internet vi uma reportagem curiosa, a cerca do ‘The draft’. O livro foi escrito como forma de homenagem, pois a escritora morreu após o rompimento de um aneurisma:

A reportagem nos trás a certeza do que já sabemos, o aneurisma quase sempre é fatal e silencioso. Pena que não seja um livro de superação pós aneurisma e sim um livro de memórias antes de um aneurisma.

Encontramos poucos relatos de quem passou por isso, como enfrentaram ou enfrentam o período de recuperação, as milhões de perguntas que veem a mente, as frustrações com a velocidade do raciocínio, enfim... Só que passou por isso e sobreviveu, sabe como realmente é conviver com a certeza de que você agora é diferente.


Sabe, esse meu retorno ao trabalho está sendo um constante desafio. Tenho e tento me manter equilibrada e com um único pensamento: tenho que respeitar meus limites, sem me deixar abater por esses mesmos limites. Mas, confesso que é bem difícil.


Quando você volta (ou pelo menos tenta) estabelecer sua rotina de antes, um fato curioso que acontece, é que as pessoas que fazem parte da sua rotina acabam esquecendo que você está em recuperação e começam a lhe cobrar como a pessoa que você era antes do aneurisma. Entender, compreender, relevar e manter a mente abstraída desse fato é realmente bem difícil. 


Vez ou outra entro em parafuso com isso, mas nada que uma boa conversa com o Roriz não resolva e me faça voltar aos eixos.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Lembranças da infância

Sempre fui uma criança ansiosa, já roía as unhas desde uns 4 a 5 anos pelo que me lembre. E, como toda criança, prestava atenção a tudo e todos, por volta de 1988 muito se falava no "boom do milênio", que o mundo ia acabar na virada do século e todas as teorias da conspiração inimagináveis... 

Enfim, aquilo me deixava profundamente aflita, lembro que fazia as contas no dedo, que no ano 2000 só teria 18 anos e que este tempo não seria suficiente para casar e ter filhos. Veja só o que um boato pode fazer com a cabeça da criança. Então, volta e meia, essa notícia voltava e eu ficava aflita com o mesmo dilema. Até que comecei a pensar em como pediria para Deus me dar mais tempo... Pedia mais um tempo, que se vivesse até os 30 anos teria tido tempo suficiente para ter casado e ter (pelo menos) um filho. Os anos 2000 vieram e nada aconteceu, desde então passei a não acreditar em mais nenhuma teoria de "fim do mundo".

Saí do Hospital cerca de 15 dias antes do aniversário dos meus 30 anos e desde então nunca tinha confessado pra ninguém desse pensamento que tinha quando criança, até que contei pro Roriz e algumas outras pessoas, em uma roda de conversa e lógico que foi motivo de muita risada. No dia do meu aniversário relutei pra sair de casa, tudo e todas as situações possíveis e inimagináveis que poderia evitar, evitei. Juntei o episódio do aneurisma e a proximidade do meu aniversário e fiz aquela confusão.

Enfim, acho que esse episódio da minha infância com esse evento do aneurisma serviu pra bagunçar (e muito) a minha cabeça. Por isso devemos ter cuidado com determinados assuntos na frente de crianças, até porque a mente de uma criança é muito fértil e ela também não está preparada para determinados assuntos.

Amanhã começo a mudança pro nosso novo ninho, eu e o Roriz vamos avançar mais uma etapa da nossa vida. Casei, ainda não tenho filhos, mas já cheguei nos 30! rs

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um ano e muito à agradecer!

Sabe, há exatamente 1 ano atrás estava sozinha em casa com uma dor de cabeça insuportável e que só deu tempo pedir socorro até apagar. 

Fui socorrida pelo Rorix Pinheiro e sua mãe, levada ao Hospital da Unimed semi-inconsciente e, os que me acompanhavam, ainda não sabiam o que tinha. Por volta da noite é que identificaram um aneurisma rompido e outro prestes a se romper, na minha cabeça. Fui operada às pressas e daí em diante, se sobreviveria ou não, estava nas mãos de Deus.

Passei 42 dias no Hospital, só lembro dos 10 últimos. As sequelas, hoje, são praticamente imperceptíveis. Mas, durante esses 12 meses, foram muitas barreiras vencidas e ainda tenho muitas outras para vencer. Meu lado direito está com a coordenação motora de uma criança de 8 anos, mas isso não me impediu de reabilitar o lado esquerdo e isso inclui: escrever, escovar os dentes, comer... dos movimentos mais básicos aos mais afinados. Esse tempo parece pouco e muito ao mesmo tempo, até porque ainda tenho muitos outros obstáculos.

Depois que a gente passa por isso, descobre uma enorme força e não sabe explicar de onde ela vem. Descobre que a gente pode perder bens materiais, mas que o AMOR, AMIZADE e COMPANHEIRISMO são eternos.

Primeiramente agradeço a Deus, Ele não tem facebook e muito menos usa internet, mas me ouve todos os dias. Agradeço todos os dias pela paciência, amor e amizade do Rorix, que me acompanhou e ainda acompanha, me deixou à par do assunto, me incentivou a romper todas as dificuldades motoras, me alegrou nos dias de tristeza, pesquisou muito sobre o assunto, terapias, clínicas especializadas e cuida dos meus horários e remédios.

Agradeço pelos meus pais e pelo exemplo de força da minha mãe (Raimunda Cavalcante) que me ensinou durante toda a vida que o mais importante na vida é a gente "não desistir, jamais", pelo meu Pai (que na sua chatice, me ensinou a ter regras e estabelecer metas), pelos meus amigos e amigas Ana DantasEulália CoelhoRafaela CoelhoAdriana BarrosSoraia FelixFernanda RochaSocorro Vale, às minhas tias Dora Ferreira e Miriam que se dividiram como puderam pra dormir comigo ou ficar o dia no hospital me acompanhando. Agradeço também aos pais do Rorix pela hospitalidade que me deram durante um período que fiquei na casa deles. Agradeço aos que foram me visitar, aos que intercederam por mim.

Um beijo mais do que especial pra minha Dedete e minha gêmula Rafinha, que tiveram que sofrer de longe e praticamente arrumaram as malas pra vir pra cá. Diz pra Dedete viu Júnior, Sandra e Marcelo.

Enfim, tudo só tenho a agradecer. E, se hoje estou aqui agradecendo é pelas muitas orações de vocês, pela força que me deram em algum momento desse período.

domingo, 24 de março de 2013

Oscilações de humor

Você já teve aneurisma? Espero, do fundo do meu coração, que não. Mas, se você chegou até aqui, é porque está procurando relatos que se assemelham ao seu ou quer ajudar alguém que esteja passando por isso. Pois bem!

Há alguns anos que não roía as unhas, mas ando com a ansiedade tão aflorada que não restaram nada delas. Notei que tenho tido oscilações de humor recorrentes, tem dias que estou bastante irritada, sem motivo aparente. Outros, estou chorosa e qualquer coisa ou palavra me deixa profundamente triste. Tem dias que estou no modo "desligada", simplesmente não consigo sentir nada, nem raiva, nem dor, alegria muito menos!

Nesses dias, tudo está muito mais intensificado, tanto é que, de sexta para sábado, passei a noite acordada tentando dormir e não teve passatempo que relaxasse a mente. Chega a ser frustrante, é como se estivesse ligada no 220 direto e não pudesse fazer nada a respeito. 

Ainda não tenho acompanhamento de algum neuropsicólogo, mas sinto que está chegando a hora. Andei lendo relatos de quem já passou ou passa por isso, e, numa dessas pesquisas achei esse blog que fala sobre vários assuntos que rodeiam as sequelas de um acidente vascular cerebral http://meucerebromudou.wordpress.com inclusive dessa oscilação de humor.



domingo, 6 de janeiro de 2013

Como tudo está, tão estranho...

Quando resolvi fazer um diário, pra mim, foi muito difícil. 
Fisicamente, em  primeiro lugar, porque escrever era um desafio enorme, como já disse aqui, minha coordenação motora com a mão direita ainda é um desastre e o fato de só exercitar me deixa cansada física e mentalmente. Depois, relembrar o que passei e  reviver a minha história, mesmo que contada pelo testemunho dos que me acompanharam, foi bastante estressante e talvez tenha sido a parte mais difícil, mais pesada. Passando essa parte, a cada obstáculo vencido e muitos outros ainda em curso, vejo que tudo valeu e ainda vale à pena. Estar escrevendo tudo isso.

Nessa semana resolvi abrir o blog para o público, enviei o endereço aos familiares e amigos, e vi que, pra eles, ainda é muito mais difícil reviver (mesmo que contada) a história. Minha mãe disse: "quando comecei a ler, me deu logo uma coisa ruim e  parei" e, minha amiga Eulália, "estou morrendo de chorar". Mas prefiro pensar que cada  um tem seu modo de encarar as coisas.

Essa é uma coisa curiosa, antes disso, era muito mais emotiva e expansiva. Depois do acontecido, sinto que fiquei mais fria com relação aos sentimentos, não que não me emocione, claro, mas demostrar é muito mais difícil, como se estivesse passando por uma era glacial. Prefiro ficar em casa, do que acompanhada ou em ambientes com muita gente, a Ana Paula (minha amiga, que me deu meu primeiro batom da MAC) foi pra Alemanha e nem sequer fui me despedir dela. Agora, um fato que me deixou alguns dias em estado de choque, foi o falecimento do tio Mota (tio da Eulália), não que não tivesse sentido a sua morte, mas não conseguia entender ou talvez compreender o seu falecimento assim tão repentinamente, fiquei mais de uma semana muito pensativa, como se estive ainda em estado de choque e com isso não conseguia expressar nada, mas só pensar no ontem e no hoje e não conseguia ligar as coisas... enfim, é tudo muito estranho.

Esses são alguns dos fatos que aconteceram, é como se a área dos sentimentos tivessem sido desligadas. Tenho lido depoimentos de outras pessoas, que passaram pela mesma coisa que eu, e a queixa é a mesma, uma constante falta de vontade de socializar, uma pessoa estranha a si e a tudo que a rodeia. Se é difícil para as pessoas compreenderem isso, pra mim é muito mais.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A venda do carro


O Roriz foi ver uns carros e fui junto, até que fim ele achou um carro que o agradasse e comecei a comentar com o vendedor que tinha um carro Ford Ka 2003, branco, que tinha arrumado ele todinho pra ir trabalhar, que o motor era bom e etc... e, devido a um problema de saúde deixei de pagar, além de ser proibida de dirigir por conta da direção que é mecânica. 

Fechamos a compra do carro do Roriz e ele veio ver meu carro. Em dois  dias ele arrumou um comprador, coloquei a papelada dele em dia e pronto. Terminarei o ano de 2012 sem dívida e viva, super saldo positivo pra esse ano horrível!

Conclusão: no final, tudo dá certo!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um dia pra tristeza


Uma das coisas que mais sinto saudade é da minha independência, antes do aneurisma, morava só, dirigia, resolvia as minhas coisas sozinha. Agora, que estou proibida de dirigir, tenho que depender da boa vontade e do tempo disponível dos outros.

Hoje estou com as prestações do carro atrasadas, nunca tinha atrasado nenhuma, pelo contrário, as pagava adiantado. Agora, afastada pelo INSS, o dinheiro é exclusivamente para o meu tratamento, remédios e alimentação. O banco não quer receber de volta o carro, eu não posso dirigir mais, é uma infelicidade só.

Lembro no dia que fui comprar meu carro, logo depois que recebi a carteira de motorista. Era meu primeiro carro, dia 06 de junho de 2011 às 11h40, lembro como se fosse hoje. Foi uma alegria só! Vim, inclusive dirigindo, peguei um engarrafamento monstruoso; mas estava lá satisfeitíssima com a chave das minhas asas, pena que durou apenas 10 meses.

Hoje tá difícil, me bateu um desânimo, sinto que nesse ano perdi algo que mais prezava, a minha liberdade.

Saudade de morar só e ter o silêncio só pra mim, de bater perna por aí sozinha com meus pensamentos, de rodar no shopping, de sair, de ter um tempo só meu. Acho que estou na TPM.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pela visão de quem me socorreu

O que vou escrever são relatos de quem me socorreu, das pessoas que foram ao hospital me visitar e das que me contaram.

Pela visão da Elsa (minha sogra) e do  Roriz (na época, meu namorado):

Eram 06:30 da manhã quando o porteiro do apartamento da Daniele ligou dizendo que ela estava  passando mal, como o Roriz estava muito gripado, fui pra ajudar.

Chegamos junto com a ambulância que o porteiro tinha chamado, a Daniele já estava no sofá, desmaiada e toda molhada, como a ambulância não tinha equipamentos levamos ela pelos braços, pela escada, até a emergência da Unimed, lá o médico encaminhou para a sala de medicação, tomou e  nada dela recobrar os sentidos, ela também batia muito na cabeça,  então vi que tinha alguma coisa errada, voltei no  médico e foi preciso discutir com ele pra ela poder fazer uma ressonância, nisso já era 19h, na sala do exame ela entrou, passou uns 3 minutos e o enfermeiro saiu com a notícia que ela ia ser internada e precisava ser operada às pressas, como o Roriz não era  casado com ela, precisou da operação dos pais, às 02h da madrugada ela foi internada e às 17h do dia seguinte ela foi operada.

No mesmo dia da operação o Roriz avisou a Eulália e ela avisou ao resto das meninas: Ana Paula, Rafaela, Adriana, Socorro, Soraia e também postou no Facebook avisando os demais. A operação foi feita pelo Dr. Túlio Spíndola, no final da operação ele explicou que as sequelas dependeriam da reação dela ao longo do período de recuperação.

Passado dois dias da operação, a Daniele acordou, com os olhos ainda manchados de sangue, estava entubada e de lá pra cá ela só melhorava, com uma semana, tiraram os tubos, no início ela falava muito baixo e compassadamente, depois foi melhorando.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Quando tudo começou...

Sempre fugi desse negócio de escrever um diário, pois pra mim é deixar provas contra você mesmo. Porém, escrever minha rotina e lembranças fazem parte do tratamento, do qual vou explicar.

Em 10 de Abril de 2012 acordei com muita dor de  cabeça, como tinha fortes enxaquecas, achei que era mais uma. Fui no banheiro, tomei banho e tentei vomitar, em vão. Parece que a dor aumentou. Então sentei no sofá e peguei o telefone para discar pro meu namorado e simplesmente não conseguia! Sabia o número, mas não conseguia coordenar os  movimentos da mão com o que pensava, nesse momento vi que era algo sério e aos poucos estava desfalecendo. Então comecei a chorar e falar com Deus, lembro que eu perguntava: O Senhor vai me deixar morrer aqui, sozinha?

Tentei ligar para o 190 e pedir socorro, depois de muitas tentativas, consegui,  caiu na secretária eletrônica e aí me perguntei: Quem que está morrendo pode esperar? Mas, mesmo assim, esperei por cerca de 5 minutos e nada. Lembro de ter pensado: me recuso a morrer só. Juntei forças e pedi socorro pelo interfone, pedi para o porteiro ligar para a ambulância e dei o número da casa do Roriz pra ele avisar, deixei a porta do apartamento aberta e apaguei. Tudo que tenho, desde então, são relances de lembranças.