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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Câncer com Otimismo

Ontem, passeando pela internetê parei pela fanpage "Câncer com otimismo" e li esse trecho tão legal, sobre memórias, lembranças, vida e refleti sobre como as pessoas lembram de mim, como passei pela vida de cada um. Vale a pena compartilhar!

Que você se lembre de mim não quando ouvir falar de câncer, mas quando ouvir falar de cura, fé, alegria e otimismo.
Lembre-se de mim quando te fizerem cócegas, quando te beijarem irritantemente.
Quando fizerem paródias idiotas de música pop com o teu nome ou quando ouvir um R gaúcho.
Lembre-se de mim quando comer estrogonofe, tomar caipirinha de morango, suco de graviola e Baileys ou Amarula em copinhos vindos de várias partes do mundo.
Lembre-se de mim quando subir numa árvore ou quando bater vontade de ficar na cama num sábado preguiçoso.
Lembre-se de mim quando alguém chorar assistindo uma comédia romântica (ou um desenho animado!).
Lembre-se de mim quando sentir o amor de Deus queimando o teu coração (me ama, Ele me - e te - ama!).
Lembre-se de mim quando alguém tentar te convencer através de ditados populares e frases de efeito...
Lembre-se de mim quando ouvir aquele jazz sensual, aquele samba alegre ou um forró divertido.
Eu sempre disse que dançar é escrever com o corpo, então leia o meu nome quando assistir a uma dança. E dance. Sonhe, ria, viva, ame sem medidas.
Nunca é tarde para recomeçar.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O câncer, a cirurgia e a recuperação

Descobri o câncer em 29 de Maio desse ano, minha cirurgia aconteceu nesta última sexta-feira, dia 01 de agosto. Entrei na sala cirúrgica as 10h e, segundo minha mãe, saí as 16h.

O câncer que tenho é o mais difícil de ser diagnosticado, mesmo fazendo a prevenção a cada ano e às vezes, a cada 06 meses, por conta da SOP (síndrome dos ovários micro-policísticos). Nunca se chegou a diagnóstico algum. O que me fez começar a duvidar dos constantes diagnósticos de "stresse" que os ginecologistas atribuíam ao sangramento, comecei a mudar de médicos até que um passou uma simples ultrassom e identificou um formato globoso do endométrio. A partir deste resultado, fiz uma histeroscopia que conseguiu identificar o endocarcinoma de endométrio. 

A priori, o câncer estava localizado apenas no endométrio e o médico já tinha esclarecido todas as minhas dúvidas quanto aos procedimentos cirúrgicos e pós-cirúrgicos. Inicialmente ele iria tirar apenas o endométrio e enviar para o "congelamento" afim de realizar a biópsia e saber realmente se o câncer estava apenas localizado, caso positivo, a cirurgia pararia neste estágio e após a recuperação iria fazer radioterapia. Contudo, foi constatado que estava mais avançado e seguiu-se a segunda etapa da cirurgia que foi tirar os ovários, trompas de falópio e o material seguiu para uma nova biópsia, saindo o resultado de que a cirurgia teria que se estender um pouco mais e a partir daí não sei de mais detalhes, a única informação que sei é de que a cirurgia foi até um músculo próximo ao reto.

Minha consulta com o oncologista é na próxima segunda-feira (11/08) e saberei todos os detalhes, inclusive qual será o tratamento pós-cirúrgico. O que presumo é de que a quimioterapia passará a ser considerada mais do que a radioterapia, mas isso é o médico que dirá.

Enquanto isso, os cortes estão sarando bem, não há sinal de inflamação. Tem uma enfermeira que todos os dias vem aplicar injeção na minha barriga e depois disso, ficamos conversando. Ela recentemente perdeu o pai, com câncer também, e cuida de um senhor de 50 anos que sofre de esclerose múltipla e hoje estávamos conversando sobre o psicológico de pessoas que sofrem de doenças graves, inclusive ela disse que a depressão mata muito mais rápido do que propriamente a doença.

Contei pra ela que de início, a notícia em si, me abalou muito. Mas depois resolvi lutar, porque já passei por tantas coisas e não seria agora que me entregaria. Contei sobre as viagens que já fiz, conversamos sobre fé, política, relacionamentos, ela chega as 06h da manhã e hoje saiu mais de 10h. Foi muito bom!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Período de luto

Dia 29 desse mês fará um mês que fui diagnosticada com câncer. Nunca fui de desperdiçar tempo, mas confesso que passei uns dias anestesiada com a notícia, depois me veio o sentimento de tristeza, raiva, revolta e passou. Viver esse período de luto foi necessário para descobrir uma camada de força que há por dentro de mim, foi necessário para fazer as pazes comigo, aceitar meus limites e me voltar as coisas simples da vida, como a família e amigos.

Problemas todo mundo tem, comigo não ia ser diferente. A primeira coisa que aconteceu foi algo bem legal, tive uma conversa de "igual para igual" com meu pai, me aproximei mais deles.

Todo mundo sabe que vai morrer, afinal essa é a única certeza que temos na vida. Mas ser diagnosticada com câncer abre realmente a sua visão e muda o seu conceito de VIDA.

E, nesse curto período vivi meu luto pessoal. Chorei, me lastimei, por vezes questionei Deus e fiz as pazes com Ele.

Nem tenho ideia do que me aguarda, mas tenho uma única certeza: vesti minha armadura e minha espada está afiada. Que venha a guerra!