Dia 29 desse mês fará um mês que fui diagnosticada com câncer. Nunca fui de desperdiçar tempo, mas confesso que passei uns dias anestesiada com a notícia, depois me veio o sentimento de tristeza, raiva, revolta e passou. Viver esse período de luto foi necessário para descobrir uma camada de força que há por dentro de mim, foi necessário para fazer as pazes comigo, aceitar meus limites e me voltar as coisas simples da vida, como a família e amigos.
Problemas todo mundo tem, comigo não ia ser diferente. A primeira coisa que aconteceu foi algo bem legal, tive uma conversa de "igual para igual" com meu pai, me aproximei mais deles.
Todo mundo sabe que vai morrer, afinal essa é a única certeza que temos na vida. Mas ser diagnosticada com câncer abre realmente a sua visão e muda o seu conceito de VIDA.
E, nesse curto período vivi meu luto pessoal. Chorei, me lastimei, por vezes questionei Deus e fiz as pazes com Ele.
Nem tenho ideia do que me aguarda, mas tenho uma única certeza: vesti minha armadura e minha espada está afiada. Que venha a guerra!
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sexta-feira, 27 de junho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
A soma de experiências
Fazer aniversários, ficar velha nunca me assustou. Aliás poucas coisas conseguem me assustar e aranhas é uma dessas poucas coisas. Amanhã faço a seguinte conta: (15x2)+2 e confesso que me acho cada vez mais bonita, mais forte, mais determinada, mais audaciosa.
Audaciosa é um adjetivo que me define, na verdade.
Desde os 30, mudanças radicais tem feito parte da minha vida e no meu estilo de vida.
Não sei se sou uma cobra, trocando pele. Se sou a águia, quando se isola no alto da montanha, para trocar as penas ou a mitológica fênix, renascendo das cinzas.
Acho que fico com a última, porque literalmente renasci até agora, das cinzas.
Durante o percurso da minha trajetória - infância / adolescência - aprendi a observar mais que falar, até hoje ainda tento botar isso em prática (mesmo sendo difícil). E, como qualquer adolescente tive minhas crises existenciais. Uma das coisas boas dessa época que ficaram foi: desafiar.
Minhas asas cresceram rápidas e ganharam os céus, aos 19 anos. Uma boa época para aprender, aprendi a matemática do salário e os custos de uma casa, o meu teto. Primeiro aprendi a fazer receitas de miojo e fui aperfeiçoando, criei gosto!
Nessa mesma época criei duas identidades: a Daniele de exatas e a artística. As duas vivem em mim, tive que me adequar a isso.
Aos 23 me apaixonei perdidamente, aos 27 casei e antes que completasse os 28 separei. Aos 29 casei novamente, com a mesma pessoa.
Aos 30, minha vida mudou completamente. Tive um aneurisma hemorrágico, aprendi o real significado do amor.
Em 2013 passei a desacreditar em estatísticas, minha "mega sena da virada" viria em outras formas. No mesmo ano desafiei todos os médicos, todos. Saí de um aneurisma hemorrágico sem sequelas e voltei a fazer coisas que nunca mais iria fazer, dirigir é uma delas.
Tempestades indo embora, vieram dias nublados e estes quase não passaram.
O ano de 2014 prometia muitas mudanças e elas realmente estavam acontecendo, ainda continuam.
Maio foi um mês neutro, vamos colocar assim... nas ultimas horas do último dia de Maio o diagnóstico que mudaria novamente, tudo: estou com CA. Não vou dizer que não fiquei chocada, que não chorei, que não praguejei, mas a partir do momento que chorei todas as lágrimas, levantei a cabeça e abracei a luta.
Deus só dá a carga que podemos suportar. E, da luta, eu não fujo.
Portanto, hoje quero me dar esse parabéns.
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