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domingo, 29 de junho de 2014

Desvendando os astros

Sabe, como todo ser terrestre que abre o jornal logo de manhã, tenho o hábito de checar meu signo as 07h por um aplicativo no celular, da Astrology Zone - Susan Miller. Assim, meio robótico mesmo. E, todo início de mês, faço a mesma coisa.

Tenho esse hábito, sei lá... Talvez por achar que ela sempre me alerta das coisas ou talvez de que ela sempre acerta. Desde fevereiro que ela alerta que deve ser feito um check-up, que é bom procurar opiniões de outros especialistas, que está na hora de investigar e dar ouvidos aos sinais do corpo... Assim, insistentemente.

Pode ser coincidência ou não, mas desde o final de fevereiro venho tendo hemorragias muito mais frequentes e por cada médico que passava, o único diagnóstico era "estresse". E, os alertas da Susan continuavam lá, mês a mês, insistentemente.

Por ter tido uma experiência anterior, quase que única e última, resolvi atender aos alertas dos céus, até que achei um médico que resolveu investigar melhor e vocês já sabem o início dessa nova história... Acontece que, de uns três meses para cá, os céus também falam de rever documentos, conversar com profissionais que entendem do assunto e etc. 

E aí que, mesmo que não se dê muitos ouvidos a astrologia, o acaso forja situações com as quais você fica de boca aberta... Pois bem, essa situação toda, com a qual estou vivendo, me forçou a procurar profissionais e um desses me fez rever todos os documentos anteriores, referente ao meu AVC e acabei descobrindo que estava totalmente errada quanto ao horário de entrada na emergência médica.

Ter essa informação em mãos, agora, nesse momento, mudou tanta coisa.

Sabe, acredito em Deus e acredito na força que Ele tem sobre nós e o universo, inclusive nas infinitas formas que Ele tem para conversar conosco. 

Acredito ainda que, a fé que pregam é totalmente diferente da fé que realmente é.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Período de luto

Dia 29 desse mês fará um mês que fui diagnosticada com câncer. Nunca fui de desperdiçar tempo, mas confesso que passei uns dias anestesiada com a notícia, depois me veio o sentimento de tristeza, raiva, revolta e passou. Viver esse período de luto foi necessário para descobrir uma camada de força que há por dentro de mim, foi necessário para fazer as pazes comigo, aceitar meus limites e me voltar as coisas simples da vida, como a família e amigos.

Problemas todo mundo tem, comigo não ia ser diferente. A primeira coisa que aconteceu foi algo bem legal, tive uma conversa de "igual para igual" com meu pai, me aproximei mais deles.

Todo mundo sabe que vai morrer, afinal essa é a única certeza que temos na vida. Mas ser diagnosticada com câncer abre realmente a sua visão e muda o seu conceito de VIDA.

E, nesse curto período vivi meu luto pessoal. Chorei, me lastimei, por vezes questionei Deus e fiz as pazes com Ele.

Nem tenho ideia do que me aguarda, mas tenho uma única certeza: vesti minha armadura e minha espada está afiada. Que venha a guerra!


quinta-feira, 19 de junho de 2014

A soma de experiências

Fazer aniversários, ficar velha nunca me assustou. Aliás poucas coisas conseguem me assustar e aranhas é uma dessas poucas coisas. Amanhã faço a seguinte conta: (15x2)+2 e confesso que me acho cada vez mais bonita, mais forte, mais determinada, mais audaciosa.

Audaciosa é um adjetivo que me define, na verdade.

Desde os 30, mudanças radicais tem feito parte da minha vida e no meu estilo de vida.
Não sei se sou uma cobra, trocando pele. Se sou a águia, quando se isola no alto da montanha, para trocar as penas ou a mitológica fênix, renascendo das cinzas. 

Acho que fico com a última, porque literalmente renasci até agora, das cinzas.

Durante o percurso da minha trajetória - infância / adolescência - aprendi a observar mais que falar, até hoje ainda tento botar isso em prática (mesmo sendo difícil). E, como qualquer adolescente tive minhas crises existenciais. Uma das coisas boas dessa época que ficaram foi: desafiar. 

Minhas asas cresceram rápidas e ganharam os céus, aos 19 anos. Uma boa época para aprender, aprendi a matemática do salário e os custos de uma casa, o meu teto. Primeiro aprendi a fazer receitas de miojo e fui aperfeiçoando, criei gosto!

Nessa mesma época criei duas identidades: a Daniele de exatas e a artística. As duas vivem em mim, tive que me adequar a isso.

Aos 23 me apaixonei perdidamente, aos 27 casei e antes que completasse os 28 separei. Aos 29 casei novamente, com a mesma pessoa. 

Aos 30, minha vida mudou completamente. Tive um aneurisma hemorrágico, aprendi o real significado do amor. 

Em 2013 passei a desacreditar em estatísticas, minha "mega sena da virada" viria em outras formas. No mesmo ano desafiei todos os médicos, todos. Saí de um aneurisma hemorrágico sem sequelas e voltei a fazer coisas que nunca mais iria fazer, dirigir é uma delas.

Tempestades indo embora, vieram dias nublados e estes quase não passaram.

O ano de 2014 prometia muitas mudanças e elas realmente estavam acontecendo, ainda continuam.

Maio foi um mês neutro, vamos colocar assim... nas ultimas horas do último dia de Maio o diagnóstico que mudaria novamente, tudo: estou com CA. Não vou dizer que não fiquei chocada, que não chorei, que não praguejei, mas a partir do momento que chorei todas as lágrimas, levantei a cabeça e abracei a luta.

Deus só dá a carga que podemos suportar. E, da luta, eu não fujo.

Portanto, hoje quero me dar esse parabéns.