Sabe, há exatamente 1 ano atrás estava sozinha em casa com uma dor de cabeça insuportável e que só deu tempo pedir socorro até apagar.
Fui socorrida pelo Rorix Pinheiro e sua mãe, levada ao Hospital da Unimed semi-inconsciente e, os que me acompanhavam, ainda não sabiam o que tinha. Por volta da noite é que identificaram um aneurisma rompido e outro prestes a se romper, na minha cabeça. Fui operada às pressas e daí em diante, se sobreviveria ou não, estava nas mãos de Deus.
Passei 42 dias no Hospital, só lembro dos 10 últimos. As sequelas, hoje, são praticamente imperceptíveis. Mas, durante esses 12 meses, foram muitas barreiras vencidas e ainda tenho muitas outras para vencer. Meu lado direito está com a coordenação motora de uma criança de 8 anos, mas isso não me impediu de reabilitar o lado esquerdo e isso inclui: escrever, escovar os dentes, comer... dos movimentos mais básicos aos mais afinados. Esse tempo parece pouco e muito ao mesmo tempo, até porque ainda tenho muitos outros obstáculos.
Depois que a gente passa por isso, descobre uma enorme força e não sabe explicar de onde ela vem. Descobre que a gente pode perder bens materiais, mas que o AMOR, AMIZADE e COMPANHEIRISMO são eternos.
Primeiramente agradeço a Deus, Ele não tem facebook e muito menos usa internet, mas me ouve todos os dias. Agradeço todos os dias pela paciência, amor e amizade do Rorix, que me acompanhou e ainda acompanha, me deixou à par do assunto, me incentivou a romper todas as dificuldades motoras, me alegrou nos dias de tristeza, pesquisou muito sobre o assunto, terapias, clínicas especializadas e cuida dos meus horários e remédios.
Agradeço pelos meus pais e pelo exemplo de força da minha mãe (Raimunda Cavalcante) que me ensinou durante toda a vida que o mais importante na vida é a gente "não desistir, jamais", pelo meu Pai (que na sua chatice, me ensinou a ter regras e estabelecer metas), pelos meus amigos e amigas Ana Dantas, Eulália Coelho, Rafaela Coelho, Adriana Barros, Soraia Felix, Fernanda Rocha, Socorro Vale, às minhas tias Dora Ferreira e Miriam que se dividiram como puderam pra dormir comigo ou ficar o dia no hospital me acompanhando. Agradeço também aos pais do Rorix pela hospitalidade que me deram durante um período que fiquei na casa deles. Agradeço aos que foram me visitar, aos que intercederam por mim.
Um beijo mais do que especial pra minha Dedete e minha gêmula Rafinha, que tiveram que sofrer de longe e praticamente arrumaram as malas pra vir pra cá. Diz pra Dedete viu Júnior, Sandra e Marcelo.
Enfim, tudo só tenho a agradecer. E, se hoje estou aqui agradecendo é pelas muitas orações de vocês, pela força que me deram em algum momento desse período.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
domingo, 7 de abril de 2013
Um novo dia e grandes perspectivas!
As oscilações de humor deram uma maneirada, só isso já é motivo pra comemorar!
Na semana santa fomos para o sítio da familia da Eulália e lá estavam a Adriana e a Rafinha, foi bem divertido passar esses dias com elas e acho que me ajudou também a relaxar e espairecer a mente, enfim foi ótimo!
Nessa semana muitas coisas maravilhosas aconteceram e uma delas foi que fechamos o aluguel do nosso apartamento, nossa, não dá nem pra descrever o quão feliz fiquei com o fim dessa busca! Outra coisa bem legal é que vou pro show do Paul McCartney aqui em Fortaleza, com certeza um momento único! Graças à insistência da Lala e das meninas!!!
Nesse mês tenho consulta com os médicos que me acompanham e dia 24 de abril volto a trabalhar, se assim eles consentirem. Até outra novidade!!
Na semana santa fomos para o sítio da familia da Eulália e lá estavam a Adriana e a Rafinha, foi bem divertido passar esses dias com elas e acho que me ajudou também a relaxar e espairecer a mente, enfim foi ótimo!
Nessa semana muitas coisas maravilhosas aconteceram e uma delas foi que fechamos o aluguel do nosso apartamento, nossa, não dá nem pra descrever o quão feliz fiquei com o fim dessa busca! Outra coisa bem legal é que vou pro show do Paul McCartney aqui em Fortaleza, com certeza um momento único! Graças à insistência da Lala e das meninas!!!
Nesse mês tenho consulta com os médicos que me acompanham e dia 24 de abril volto a trabalhar, se assim eles consentirem. Até outra novidade!!
domingo, 24 de março de 2013
Oscilações de humor
Você já teve aneurisma? Espero, do fundo do meu coração, que não. Mas, se você chegou até aqui, é porque está procurando relatos que se assemelham ao seu ou quer ajudar alguém que esteja passando por isso. Pois bem!
Há alguns anos que não roía as unhas, mas ando com a ansiedade tão aflorada que não restaram nada delas. Notei que tenho tido oscilações de humor recorrentes, tem dias que estou bastante irritada, sem motivo aparente. Outros, estou chorosa e qualquer coisa ou palavra me deixa profundamente triste. Tem dias que estou no modo "desligada", simplesmente não consigo sentir nada, nem raiva, nem dor, alegria muito menos!
Nesses dias, tudo está muito mais intensificado, tanto é que, de sexta para sábado, passei a noite acordada tentando dormir e não teve passatempo que relaxasse a mente. Chega a ser frustrante, é como se estivesse ligada no 220 direto e não pudesse fazer nada a respeito.
Ainda não tenho acompanhamento de algum neuropsicólogo, mas sinto que está chegando a hora. Andei lendo relatos de quem já passou ou passa por isso, e, numa dessas pesquisas achei esse blog que fala sobre vários assuntos que rodeiam as sequelas de um acidente vascular cerebral http://meucerebromudou.wordpress.com inclusive dessa oscilação de humor.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Paciência e Longaminidade
"Longanimidade e Paciência é saber esperar (...)", já dizia uma certa música que aprendi na minha infância.
Saber esperar e paciência é tudo que temos feito ultimamente, aliás... paciência foi uma palavra que passou a fazer parte da minha rotina, pós aneurisma.
Estávamos morando com os pais do meu marido, mas por um infortúnio tive que vir morar com os meus pais e ele com os dele. Enquanto isso, procuramos apartamento para alugar, que esteja dentro do nosso orçamento e que faça parte da nossa trajetória diária e assim, tudo volta ao normal.
Nesse mês, que não escrevo por aqui, muita coisa mudou. Começaram as aulas da minha faculdade e a do meu marido, no dia 22 desse mês vou voltar a trabalhar e confesso que estou bastante ansiosa pra isso. Minha memória tem melhorado consideravelmente, assim como minha caligrafia com a mão esquerda e a reabilitação da mão direta está bem lenta, mas já consigo escrever minha rubrica.
De umas semanas pra cá tenho tido crises de ansiedade poderosas, as coitadas das minhas unhas é que sofrem. Minha angio-ressonância teve que ser remarcada para abril e só depois disso é que vou marcar o retorno com o neurologista clínico que me acompanha vou aproveitar também para pedir dele um acompanhamento psicológico, acho que já é a hora.
Depois que a gente passa por isso, fica um vazio que não sabemos como preencher. Fico pensando: e se tudo isso não tivesse acontecido? E, se tivesse morrido? São perguntas, sentimentos que afloram e outros que desapareceram. Sinto que, dentro da minha cabeça alguma coisa foi desligada, do tipo, alguns sentimentos como compaixão, alegria e outros precisam de muita força para florescerem, é um exemplo bem resumido... Antes era uma pessoa mais emocional que racional, mas depois disso sinto que as coisas se inverteram e a única emoção que consigo sentir com facilidade é raiva, vai entender.
Tenho respondido alguns tópicos no fórum http://aneurismacerebral.ning.com e isso tem me ajudado e ajudado outras pessoas, atualmente isso é o que importa.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Nada do que a gente planeja acontece...
É, meio assim... Ambíguo.
Comprei duas passagens (ida-volta) para mim e para o Roriz, me planejei, paguei a reserva da hospedagem e uma semana antes me jogaram um balde de água fria. Pois é, meu feriado de carnaval foi todo em casa. Pelo menos não gastei dinheiro. Olhando por essa perspectiva seria uma coisa boa, se não precisasse dessa viagem para espairecer a mente e pensar com calma na vida.
Agora, mais do que nunca quero voltar a ter um canto só meu ou nosso. Fiz o eco-esofágico e deu normal, no início de Março vou enfim fazer a angio-ressonância. Segunda-feira começam as aulas, minhas e do Roriz. Voltamos às nossas rotinas e só espero uma coisa: achar um canto pra chamar de meu, pronto. Só preciso disso pra voltar a ser feliz.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Tudo vai... caminhando.
Fiz a perícia e renovaram por mais 3 meses, por mim já voltaria a trabalhar até porque ficar em casa causa mais estresse do que passar o dia trabalhando.
Fui na empresa pra autorizar meu exame da angio-ressonância do crânio, a Unimed não quer dizer o preço nem para o Coordenador do RH e a ordem é: só autorizar algum exame se disserem o preço e assim fica esse impasse, enfim esse é um dos assuntos que já me deixam estressada só em lembrar. No fim, ficou combinado de ir na segunda conversar com a Diana da Unimed,ou seja, nada resolvido por enquanto. Consegui autorizar o eco-esofágico e vou marcar nessa segunda, dependendo do resultado paro de tomar o marevan.
Esse final de semana fomos almoçar com a Lala e foi bom, começamos logo no início da tarde e só saímos à noite, foi legal e serviu pra desopilar um pouco. Estamos nos preparando para viajar nesse feriado do carnaval, vamos para Belém do Pará e acho que vamos comprar nossas alianças por lá, o que seria algo bem característico, já que todo ano fazemos alguma viagem juntos.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Como tudo está, tão estranho...
Quando resolvi fazer um diário, pra mim, foi muito difícil.
Fisicamente, em primeiro lugar, porque escrever era um desafio enorme, como já disse aqui, minha coordenação motora com a mão direita ainda é um desastre e o fato de só exercitar me deixa cansada física e mentalmente. Depois, relembrar o que passei e reviver a minha história, mesmo que contada pelo testemunho dos que me acompanharam, foi bastante estressante e talvez tenha sido a parte mais difícil, mais pesada. Passando essa parte, a cada obstáculo vencido e muitos outros ainda em curso, vejo que tudo valeu e ainda vale à pena. Estar escrevendo tudo isso.
Nessa semana resolvi abrir o blog para o público, enviei o endereço aos familiares e amigos, e vi que, pra eles, ainda é muito mais difícil reviver (mesmo que contada) a história. Minha mãe disse: "quando comecei a ler, me deu logo uma coisa ruim e parei" e, minha amiga Eulália, "estou morrendo de chorar". Mas prefiro pensar que cada um tem seu modo de encarar as coisas.
Essa é uma coisa curiosa, antes disso, era muito mais emotiva e expansiva. Depois do acontecido, sinto que fiquei mais fria com relação aos sentimentos, não que não me emocione, claro, mas demostrar é muito mais difícil, como se estivesse passando por uma era glacial. Prefiro ficar em casa, do que acompanhada ou em ambientes com muita gente, a Ana Paula (minha amiga, que me deu meu primeiro batom da MAC) foi pra Alemanha e nem sequer fui me despedir dela. Agora, um fato que me deixou alguns dias em estado de choque, foi o falecimento do tio Mota (tio da Eulália), não que não tivesse sentido a sua morte, mas não conseguia entender ou talvez compreender o seu falecimento assim tão repentinamente, fiquei mais de uma semana muito pensativa, como se estive ainda em estado de choque e com isso não conseguia expressar nada, mas só pensar no ontem e no hoje e não conseguia ligar as coisas... enfim, é tudo muito estranho.
Esses são alguns dos fatos que aconteceram, é como se a área dos sentimentos tivessem sido desligadas. Tenho lido depoimentos de outras pessoas, que passaram pela mesma coisa que eu, e a queixa é a mesma, uma constante falta de vontade de socializar, uma pessoa estranha a si e a tudo que a rodeia. Se é difícil para as pessoas compreenderem isso, pra mim é muito mais.
Assinar:
Postagens (Atom)