sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Tudo no seu tempo


Fomos ao Dr. Avelino hoje, ele é o médico neurologista que me acompanha, como já disse. Foi uma consulta bastante esclarecedora e dessa vez lembrei de todas as minhas perguntas!

A primeira foi: se eu, um dia, vou voltar a dirigir. A resposta valeu por todo o resto do ano, ele disse que poderia desde que fosse direção hidráulica (por ser leve) e que isso fosse feito aos poucos, com percursos curtos e fora do horário de pico. Ótimo! Não dá pra descrever a imensa alegria que senti, por dois motivos, um que foi tão difícil juntar o dinheiro pra tirar, depois ter o tempo pra fazer as aulas, por fim comprar o carro! Aceito as condições, só em saber que nem tudo está perdido.

A segunda foi: se poderia viajar de avião, por conta da pressão e tal, ele disse que não tinha problema. A terceira e a quarta já nem lembro mais, a emoção foi tanta na primeira resposta que me esqueci de memorizar as outras, vale ressaltar que esse foi o assunto do dia e ainda sinto alegria só em lembrar esse dia!

Vou refazer o exame que vê as veias do cérebro no final de janeiro de 2013 e depois disso ele vai preencher as papeladas do seguro de vida, que tenho pra receber. Aparentemente não há lesões irreversíveis no meu cérebro, mas ele precisa ver esse exame, que vou fazer no final de janeiro, pra bater o martelo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um dia pra tristeza


Uma das coisas que mais sinto saudade é da minha independência, antes do aneurisma, morava só, dirigia, resolvia as minhas coisas sozinha. Agora, que estou proibida de dirigir, tenho que depender da boa vontade e do tempo disponível dos outros.

Hoje estou com as prestações do carro atrasadas, nunca tinha atrasado nenhuma, pelo contrário, as pagava adiantado. Agora, afastada pelo INSS, o dinheiro é exclusivamente para o meu tratamento, remédios e alimentação. O banco não quer receber de volta o carro, eu não posso dirigir mais, é uma infelicidade só.

Lembro no dia que fui comprar meu carro, logo depois que recebi a carteira de motorista. Era meu primeiro carro, dia 06 de junho de 2011 às 11h40, lembro como se fosse hoje. Foi uma alegria só! Vim, inclusive dirigindo, peguei um engarrafamento monstruoso; mas estava lá satisfeitíssima com a chave das minhas asas, pena que durou apenas 10 meses.

Hoje tá difícil, me bateu um desânimo, sinto que nesse ano perdi algo que mais prezava, a minha liberdade.

Saudade de morar só e ter o silêncio só pra mim, de bater perna por aí sozinha com meus pensamentos, de rodar no shopping, de sair, de ter um tempo só meu. Acho que estou na TPM.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Check Up


O final do mês de Novembro foi marcado com ida  aos médicos. Nesse meio tempo também tivemos consulta com a cardiologista e fizemos novamente todos os exames, pra investigar o porquê da formação dos trombos na veia pulmonar, mas nada deu alterado, a não ser pela carência de ferro, o que já tinha sido constatado anteriormente e passou outro eco-esofágico pro final de Janeiro pra ver se teve alguma outra formação de trombo e se já terminou de desmanchar o outro que estava bem dissolvido, na minha alta.

Estamos no início de Dezembro, nada de extraordinário aconteceu. O Roriz vai trocar de carro e o banco aceitou uma proposta de R$7.200 pra quitar o meu e sair meu nome do SPC, então essa é a hora!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A hemorragia


Com um mês de alta e tomando o marevan, voltei a menstruar, depois de 5 anos sem. Tenho o histórico de ovários micro-policísticos e por conta disso a grande ausência do ciclo, expliquei pra Dra Ruth que mesmo tomando anticoncepcional  não descia e que tenho isso desde os 12 anos. 

Com o aneurisma  não posso mais tomar anticoncepcional e com a diabetes, descoberta ainda no hospital, passei a tomar a Metiformina, o que voltaria a regular a menstruação e pensava que ela estava vindo muita por conta desse longo tempo. No primeiro mês menstruei muito, por 7 dias ininterruptos, com 15 dias veio novamente, só que dessa vez normal. Acontece que, com mais 15 dias, veio a chuva de sangue novamente e assim se repetiu por mais dois meses, vi que nada estava tão normal assim. Em dois dias usei 2 pacotes de absorventes noturna, daquele que é  para ciclos menstruais severos, teve um dia que dormi de fralda porque estava cansada de trocar de lençol de cama além de cansaço e desânimo, no dia seguinte, bem cedo, fomos à emergência procurar a Dra. Ruth.

Como ela me achou muito pálida, pediu que fizesse um hemograma e pediu também para ver as taxas de ferro no sangue. Quando ela viu meu hemograma, primeiro me deu umas boas chamadas e depois mandou ficar deitada tomando duas bolsas de sangue. Esse dia era aniversário da minha mãe, ela tinha feito um jantar e acabei nem indo porque só fui sair 23 horas. Com esse episódio, ela mandou suspender o marevan quando iniciasse o ciclo menstrual e reiniciasse quando terminasse o ciclo, fora isso, tomasse sulfato ferroso com vitamina C, duas vezes ao dia.

E, tudo voltou ao normal.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Minha nova casa


Tá certo que não é minha, mas é meu novo endereço. 

Estou morando com o Roriz, na casa dos pais dele. De início tudo é muito novo e estranho também, do ponto de quem mora sozinha desde os 18 anos, que com 20 ganhou o mundo rumo à uma vida sem os pais e etc. Esse vai ser um ponto bem difícil – depender de alguém.

Segundo os médicos não posso mais morar só, assim como também não posso mais andar só (pelo menos por um longo tempo). Esse vai ser o maior desafio de todos, desaprender a ser independente.  A casa sempre tem gente, a mãe e o pai dele, a sobrinha, o irmão que trabalha em um quarto no andar de cima, então sempre tem companhia.

Já que, recentemente saí do hospital, então tenho alguns exames de rotina, todas as sextas-feiras faço o TP (tempo de coagulação), o de uma pessoa normal é 1,42, mas o meu é pra ficar na faixa de  2,0 a 2,5 segundo a Dra Ruth, que é a Cardiologista que me salvou da segunda vez. Com uma semana de alta marquei a consulta no Dr.Túlio que foi o Neurologista que me operou. Ido pra essas consultas, alguns muitos remédios pra tomar e tá tudo certo, penso eu.

Alta do Hospital

O grande  dia chegou, depois de longos 42 dias, saí do Hospital. Lembro que foi um dia muito feliz, o Roriz foi me pegar e me levou até a casa da minha mãe. Ele já tinha me feito a proposta de morar com  ele, na casa dos pais dele. Disse que iria pra casa dos meus pais, mesmo sabendo que não iria dar muito certo, não deixaria de tentar.

Meu pai tem o temperamento muito forte e eu também, sempre bati de frente com ele, se não concordava com alguma coisa, dizia e defendia meu ponto de vista. Moro só desde os 18 anos  e desde os 15 anos já ganhava meu próprio dinheirinho, então ia ser um desafio grande dividir o mesmo teto. Dois dias depois tivemos nossa primeira discussão, porque ele  queria que  fosse pra igreja e eu  disse que obrigada não iria. Ainda fui adiante, disse que eu pedi pra morrer e que não pedi que ninguém fizesse promessa no meu nome. 

Tá, eu sei que  fui longe demais, mas meu pai tem que aprender a respeitar o tempo  das pessoas. Tinha acabado de sair do hospital, queria respirar e não queria pressão. Várias pessoas fizeram promessas pra eu melhorar, vou cumprir todas.

Combinei com o Roriz de me pegar na sexta e por conta disso foi um auê em casa, porque tinha que voltar  no Domingo e blá blá blá, quando vi que não  ia dar certo disse pro Roriz que aceitaria a proposta dele, apesar de que a mãe dele tem umas coisas que tiram a paciência de qualquer um, mas, segundo ele, já tinha sido conversado isso. Fui pra casa dele e quando foi na terça voltei pra casa pra falar com meu pai, acho que por conta do nervosismo, minha diabetes estava  perto da casa dos 200.

Fomos, ele  não falou nada, só escutou. A mãe arrumou minhas coisas e voltamos. Foi assim, limpo e seco. Eu gosto pra caramba dele, mas só nos damos bem morando em casas separadas.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Quem quase morre, ainda está vivo!

Pois é, essa frase faz bem sentido agora!
Falei que saí da UTI duas vezes, mas não falei o motivo da volta. Foi assim: da primeira vez passei 20 dias me  recuperando da cirurgia, dessa época lembro pouca coisa, talvez dos últimos três dias e aí acabei voltando.

O motivo do meu retorno à UTI foi por conta  de uma embolia pulmonar ou formação  de coágulos na veia pulmonar. Fui acometida por uma febre muito alta, entrei em choque, as enfermeiras dizem que cerrei as mãos e dentes, me levaram pra  UTI e tentaram colocar remédio na veia e arrancava, por isso me amarraram na cama.

O Roriz disse que fizeram exame de tudo que foi jeito, pra encontrar o motivo da febre, quando a Dra. Ruth foi chamada, porque não encontraram a causa. Quando ela  chegou, a primeira coisa  que ela perguntou foi a data de um cateter que tinha para a aplicação de medicamentos, aí descobriram a causa da febre, o cateter que estava infeccionando. Descoberto isso, tiraram o cateter e a febre começou  a baixar, mas não satisfeita ela passou um eco-esofágico e aí descobriram que tinha três coágulos na veia pulmonar, estacionados. E, por conta desses coágulos, fiquei no hospital sendo medicada com varfarina sódica de 5mg e só saí de lá quando eles sumiram.