terça-feira, 23 de outubro de 2012

A tão esperada consulta


Outubro chegou e com ele a tão esperada consulta com o Dr. Avelino, contei toda a saga até aqui, ele passou mais 10 sessões de fisioterapia, terapia ocupacional, contei pra ele, que por iniciativa própria tinha voltado a estudar, mas estava tendo muita dificuldade em memorizar as coisas, por conta da perda de memória recente. Ele disse que a recuperação é assim, devagar, mas que o importante é não parar. 

Tenho a meu favor a idade, então tinha que desacelerar e fazer as coisas devagar e não desistir. Pediu pra ver o exame que fizemos com o Dr. Túlio e disse que visualmente não há nenhuma área afetada que seja irreversível, mas por precaução pediu pra fazer outro exame no final de Janeiro de 2013.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Dor de cabeça com o plano de saúde


Pensava eu que um exame pós-operatório seria simples de autorizar, que nada. Fui à consulta com o Dr. Túlio e teria que fazer uma ressonância que veria todas as veias do meu cérebro. Esse exame teria que ser autorizado na Unimed, chegando lá, toda uma burocracia em volta. Demos entrada na autorização, teríamos 5 dias úteis  para a minha empresa pagar, cair o pagamento e depois autorizar. A empresa esperando esse papel pra pagar e nada, passou os 5 dias úteis, a gente ligando pra Unimed e nada. Até que um dia fiz a maior zuada nas redes sociais (Twitter e Facebook), a Unimed respondeu, mas mesmo assim, nada. 

Até que, cansados de esperar esse bendito papel chegar na empresa, resolvemos denunciar ao ONS com todos os números de protocolos que recebemos ao longo da espera e  só aí esse bendito papel chegou na empresa, eles pagaram, foi autorizado e fiz o exame. Tudo normal e o Dr. Túlio me indicou para o Dr. Avelino, que também é Neurologista, só que clínico e especializado nessa área de reabilitação.

O Dr. Avelino deve ser muito bom, pois só consegui vaga pra Outubro e a minha segunda perícia do INSS seria em Agosto. Resolvemos procurar outro Neurologista clínico para ter um laudo pra levar pra perícia, eis que achamos um doutor que resolvemos de apelidar de Dr. Louco, vou explicar por que... Quando fomos à consulta não tinha ninguém esperando, já achamos estranho. 

Pra entrar na sala dele tinha o seguinte protocolo: A atendente, primeiro nos anunciou. Eu, que era a paciente, deveria sentar na cadeira do lado direito, o Roriz, que era o acompanhante, na cadeira do lado esquerdo. Primeiro eu falo, sem pesquisar relembranças do Roriz, depois ele falaria. 

Então, não preciso nem explicar que eu falei pouco, até porque a única coisa que eu lembraria era que esqueço as coisas com muita frequência. Ele testou os reflexos, a sensibilidade, disse que o esquecimento é ansiedade e nada que as tarefas domésticas não resolvessem já a dormência do lado esquerdo e a falta de coordenação do lado direito, 10 sessões de fisioterapia iria resolver.  

Passou um calmante e claro que não comprei. Partindo do ponto que o meu caso não foi tão simples assim, então, claro que a falha na memória não é ansiedade e nem as 10 sessões de fisioterapia resolveu. Mas o atestado dele serviu pra perícia do INSS, então a viajem não foi perdida. 

Chegou o mês da perícia e ainda precisava de ajuda do Roriz pra responder as perguntas, claro que não me lembro de nenhuma delas, mas deu certo, o médico renovou até 31 de Dezembro de 2012.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pela visão de quem me socorreu

O que vou escrever são relatos de quem me socorreu, das pessoas que foram ao hospital me visitar e das que me contaram.

Pela visão da Elsa (minha sogra) e do  Roriz (na época, meu namorado):

Eram 06:30 da manhã quando o porteiro do apartamento da Daniele ligou dizendo que ela estava  passando mal, como o Roriz estava muito gripado, fui pra ajudar.

Chegamos junto com a ambulância que o porteiro tinha chamado, a Daniele já estava no sofá, desmaiada e toda molhada, como a ambulância não tinha equipamentos levamos ela pelos braços, pela escada, até a emergência da Unimed, lá o médico encaminhou para a sala de medicação, tomou e  nada dela recobrar os sentidos, ela também batia muito na cabeça,  então vi que tinha alguma coisa errada, voltei no  médico e foi preciso discutir com ele pra ela poder fazer uma ressonância, nisso já era 19h, na sala do exame ela entrou, passou uns 3 minutos e o enfermeiro saiu com a notícia que ela ia ser internada e precisava ser operada às pressas, como o Roriz não era  casado com ela, precisou da operação dos pais, às 02h da madrugada ela foi internada e às 17h do dia seguinte ela foi operada.

No mesmo dia da operação o Roriz avisou a Eulália e ela avisou ao resto das meninas: Ana Paula, Rafaela, Adriana, Socorro, Soraia e também postou no Facebook avisando os demais. A operação foi feita pelo Dr. Túlio Spíndola, no final da operação ele explicou que as sequelas dependeriam da reação dela ao longo do período de recuperação.

Passado dois dias da operação, a Daniele acordou, com os olhos ainda manchados de sangue, estava entubada e de lá pra cá ela só melhorava, com uma semana, tiraram os tubos, no início ela falava muito baixo e compassadamente, depois foi melhorando.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Quando tudo começou...

Sempre fugi desse negócio de escrever um diário, pois pra mim é deixar provas contra você mesmo. Porém, escrever minha rotina e lembranças fazem parte do tratamento, do qual vou explicar.

Em 10 de Abril de 2012 acordei com muita dor de  cabeça, como tinha fortes enxaquecas, achei que era mais uma. Fui no banheiro, tomei banho e tentei vomitar, em vão. Parece que a dor aumentou. Então sentei no sofá e peguei o telefone para discar pro meu namorado e simplesmente não conseguia! Sabia o número, mas não conseguia coordenar os  movimentos da mão com o que pensava, nesse momento vi que era algo sério e aos poucos estava desfalecendo. Então comecei a chorar e falar com Deus, lembro que eu perguntava: O Senhor vai me deixar morrer aqui, sozinha?

Tentei ligar para o 190 e pedir socorro, depois de muitas tentativas, consegui,  caiu na secretária eletrônica e aí me perguntei: Quem que está morrendo pode esperar? Mas, mesmo assim, esperei por cerca de 5 minutos e nada. Lembro de ter pensado: me recuso a morrer só. Juntei forças e pedi socorro pelo interfone, pedi para o porteiro ligar para a ambulância e dei o número da casa do Roriz pra ele avisar, deixei a porta do apartamento aberta e apaguei. Tudo que tenho, desde então, são relances de lembranças.