segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sou um amuleto de sorte!

Desde a segunda vez que saí da UTI, me tornei uma pessoa que dava sorte para os outros pacientes no quarto. 
No primeiro apartamento passou por mim uma moça que havia feito uma cirurgia para remover as pedras na vesícula. Ela ficou por lá apenas dois dias e recebeu alta. Em seguida, chegou uma jovem senhora que teve um AVC. Ela ficou por três dias e recebeu alta. Depois veio  a D. Vanda, a única que consigo lembrar o nome. Ela ficou mais tempo, duas semanas, e, quando recebeu alta, tive que mudar de quarto. Fui para um quarto próximo ao balcão das enfermeiras, pra variar levei a sorte para os outros companheiros de quarto. Uma senhora  idosa, que lá estava, recebeu alta no mesmo dia. 

Fiquei só por uma semana e nesse meio tempo as meninas se dividiram com a minha mãe pra  dormir comigo.  Uma noite foi a Eulália que chegou com a Rafaela, depois do banho, ela me maquiou, penteou meu cabelo e tirou fotos pra postar no Facebook.

Outra vez, a Soraia  foi  dormir comigo, a Paulinha também foi um dia dormir e me deu meu primeiro batom vermelho da  MAC, lindo! Também foram a Socorro, a Gabriela (minha cunhada), as minhas tias Miriam, Maria e Dora, quem passou os últimos 10 dias me acompanhando, por fim, foi a Fernanda, uma vizinha da mãe e que acabou se tornando  minha amiga.

Sair da UTI foi difícil, mas sair do Hospital parecia impossível. Os dias se arrastavam e a Dra. Ruth, que era a cardiologista que me acompanhava depois da minha volta à UTI.


domingo, 11 de novembro de 2012

Visita na área de isolamento

As visitas nessa área eram proibidas, mas um certo dia recebi a visita de todos de uma só vez! Nesse dia foi legal e engraçado. A UTI é triste e solitária, quando não se está dormindo, agora, imagine a área de isolamento.

Nesse dia foram: Adhara,  Adriana, Eulália, Rafaela, Socorro e Roriz. Pela manhã a Socorro foi me visitar, ela levou uma mini Nossa Senhora e uma presilha de cabelo, vermelha com poás.  Na visita das cinco horas, primeiro, chegou a Adhara e o Roriz e eu lembro  que queria saber da rotina deles, perguntei se já tinham começado as inscrições pro ENEM, qual curso ela tinha escolhido e outras coisas.

Logo em seguida chegaram as meninas e  foi aquela zorra, a Adriana foi a última a entrar. Como a  aglomeração de  pessoas era proibida, ainda mais na sala de isolamento, a Rafaela fechou as cortinas impedindo que os médicos e as enfermeiras vissem aquilo. Com isso, a Adriana, em tom de brincadeira, disse que era a hora do sexo e foi aquela algazarra toda!

sábado, 10 de novembro de 2012

A greve do coco!

Disseram que ia sair da UTI, dessa vez não criei expectativas, enquanto esperava vaga. Aliás, esse foi o primeiro grande aprendizado: "deixar as coisas acontecerem naturalmente, segundo a vontade de Deus". E, por conta disso, ainda esperei uns três a quatro dias.

Nesse período senti vontade de fazer coco, pelo que me lembrava fazia uns dias que não fazia, mas a médica não me liberou para ir ao  banheiro. Por três dias tomei laxante. A médica do plantão, Dra. Isabele, perguntou se pelo menos sentia  vontade, respondi  que não e que era algo psicológico. Só cagaria se ela me liberasse minha ida ao banheiro, ela recusou meu pedido (claro) e me propôs o seguinte: ela liberava uma cadeira higiênica, desde que na ala que estava. Aceitei, não tinha pra onde correr mesmo!

Eu juro que tentei,  me espremi, contei formiguinhas, olhei pro teto, cantei (mentalmente) uma música qualquer e só saiu uma bolinha, ou seja, o mesmo que nada. Isso só fez minha situação piorar, pois passei a me sentir empachada. Passaram-se dois dias e a Dra Isabele viu que não adiantaria me entupir de laxante e pense que o bicho era doce! Então ela ligou pra Dra. Ruth (a cardiologista) e só aí ela liberou a ida ao banheiro. Nossa! Foi o dia mais feliz que um coco pode ter. Sério.

Com isso, passei a tomar banho sozinha, sempre sob a supervisão de alguém, mas estava e isso pra mim era importante. Com  isso, a equipe médica percebeu que estava mais "independente" e me transferiram para um apartamento, finalmente saí da UTI! Se soubesse que uma greve de coco iria causar  tudo isso, teria usado essa técnica anteriormente (brincadeirinha).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Fora da UTI pela primeira vez

A enfermeira disse que ia sair da UTI, por conta disso, fiquei toda animada e criei milhões de expectativas, naquele dia não deu certo. Os quartos e as enfermarias estavam lotadas, simplesmente não tinha vaga. Fiquei tão triste  e decepcionada que não aguentei, enchi os olhos d'agua e comecei a chorar.

Aí fui explicar porque estava chorando e quanto mais explicava, mais chorava. Estava decepcionada comigo, porque não podia fazer nada pra mudar. Fiz tanto drama que acabaram achando uma vaga pra mim, no dia seguinte e fiquei só alegria.

Fui pra um quarto e se tudo corresse bem, quatro dias depois iria pra casa, infelizmente, não durei nem um dia completo. Saí da UTI por volta das 10h e voltei por volta das 20h. Já fora da UTI, no quarto, só lembro que tomei banho e fui dormir. Quando acordei, sei lá quantos dias depois, estava na UTI novamente e pior, na sala de isolamento toda amarrada, abri os olhos e pensei: Meu Deus, de novo não!

E assim, a saga da UTI começou novamente.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Flashes de memórias

Tenho dois flashes de memória, um, acordei no meio da operação e vi um teto branco, três monitores e duas pessoas de colete azul. A enfermeira viu que acordei e chamou o Doutor, então ele veio e disse que estava tudo bem, que eles estavam fazendo um exame e que eu ia  voltar a dormir para eles continuarem o exame. Realmente dormi.

A outra lembrança é de um sonho, pelo menos eu acho que foi um sonho. Sai da UTI  e depois voltei por complicações, depois conto sobre isso. Pois bem, nessa vez que voltei, sonhei que era acordada por uma enfermeira que ia me dar os remédios e para ela eu pedia que me deixasse morrer, que não aguentava mais, era muito sofrimento, enfim. No sonho ela dizia que tinha como acelerar o processo, mas para isso tinha que pagar R$1.600,00 e eu dizia que  não tinha esse dinheiro e por conta disso, resolvi que era melhor viver.

Na segunda vez que voltei a UTI, passei dois dias em coma e curiosamente depois desse sonho, acordei.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A tão esperada consulta


Outubro chegou e com ele a tão esperada consulta com o Dr. Avelino, contei toda a saga até aqui, ele passou mais 10 sessões de fisioterapia, terapia ocupacional, contei pra ele, que por iniciativa própria tinha voltado a estudar, mas estava tendo muita dificuldade em memorizar as coisas, por conta da perda de memória recente. Ele disse que a recuperação é assim, devagar, mas que o importante é não parar. 

Tenho a meu favor a idade, então tinha que desacelerar e fazer as coisas devagar e não desistir. Pediu pra ver o exame que fizemos com o Dr. Túlio e disse que visualmente não há nenhuma área afetada que seja irreversível, mas por precaução pediu pra fazer outro exame no final de Janeiro de 2013.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Dor de cabeça com o plano de saúde


Pensava eu que um exame pós-operatório seria simples de autorizar, que nada. Fui à consulta com o Dr. Túlio e teria que fazer uma ressonância que veria todas as veias do meu cérebro. Esse exame teria que ser autorizado na Unimed, chegando lá, toda uma burocracia em volta. Demos entrada na autorização, teríamos 5 dias úteis  para a minha empresa pagar, cair o pagamento e depois autorizar. A empresa esperando esse papel pra pagar e nada, passou os 5 dias úteis, a gente ligando pra Unimed e nada. Até que um dia fiz a maior zuada nas redes sociais (Twitter e Facebook), a Unimed respondeu, mas mesmo assim, nada. 

Até que, cansados de esperar esse bendito papel chegar na empresa, resolvemos denunciar ao ONS com todos os números de protocolos que recebemos ao longo da espera e  só aí esse bendito papel chegou na empresa, eles pagaram, foi autorizado e fiz o exame. Tudo normal e o Dr. Túlio me indicou para o Dr. Avelino, que também é Neurologista, só que clínico e especializado nessa área de reabilitação.

O Dr. Avelino deve ser muito bom, pois só consegui vaga pra Outubro e a minha segunda perícia do INSS seria em Agosto. Resolvemos procurar outro Neurologista clínico para ter um laudo pra levar pra perícia, eis que achamos um doutor que resolvemos de apelidar de Dr. Louco, vou explicar por que... Quando fomos à consulta não tinha ninguém esperando, já achamos estranho. 

Pra entrar na sala dele tinha o seguinte protocolo: A atendente, primeiro nos anunciou. Eu, que era a paciente, deveria sentar na cadeira do lado direito, o Roriz, que era o acompanhante, na cadeira do lado esquerdo. Primeiro eu falo, sem pesquisar relembranças do Roriz, depois ele falaria. 

Então, não preciso nem explicar que eu falei pouco, até porque a única coisa que eu lembraria era que esqueço as coisas com muita frequência. Ele testou os reflexos, a sensibilidade, disse que o esquecimento é ansiedade e nada que as tarefas domésticas não resolvessem já a dormência do lado esquerdo e a falta de coordenação do lado direito, 10 sessões de fisioterapia iria resolver.  

Passou um calmante e claro que não comprei. Partindo do ponto que o meu caso não foi tão simples assim, então, claro que a falha na memória não é ansiedade e nem as 10 sessões de fisioterapia resolveu. Mas o atestado dele serviu pra perícia do INSS, então a viajem não foi perdida. 

Chegou o mês da perícia e ainda precisava de ajuda do Roriz pra responder as perguntas, claro que não me lembro de nenhuma delas, mas deu certo, o médico renovou até 31 de Dezembro de 2012.